quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Pedaços de Mim



Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

Martha Medeiros

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Montanha Russa



"Cansei de ouvir o que não quero, de ter que fugir por não ter forças para lutar,
da constante atitude de querer agradar a todos sem antes pensar em mim.
Cansei de ter de provar a todos que mentiras que caminham por ai não passam disso, de querer falar e não ter palavras para descrever ou faltar coragem na hora de dizer, 
de não querer magoar ninguém e acabar me machucando,
de dar confiança e não receber reciprocidade,de não conseguir o que quero mesmo me esforçando acima do que posso.


...E cansado simplesmente queria ficar e assim desistir, mas uma voz maior dentro de mim insiste em falar que eu devo continuar
na esperança de um dia haver alguém que me prove tudo ao contrario do que tinha pensado. E eu insisto no erro de continuar a ouvi-la.."


Autor Desconhecido

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Canteiros


Quando penso em você fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa, menos a felicidade
Correm os meus dedos longos em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego já me traz contentamento
Pode ser até manhã, cedo claro feito dia
mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa
Para correr entre os canteiros e esconder minha tristeza
Que eu ainda sou bem moço para tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida,
Pois se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço, sem ter visto a vida.


segunda-feira, 22 de julho de 2013

O medo do amor



Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê. 

O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade. 

E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro. 

Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos. 

Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo.


terça-feira, 16 de julho de 2013

Cabo de Guerra


Nós sempre idealizamos a nossa vida, o nosso futuro. A cada pequeno passo um mundo de novas ideias e sonhos vão se construindo em nossa mente, e se tornam o nosso objetivo de vida. E no amor, não é diferente. Idealizamos a pessoa que queremos ter ao nosso lado, suas características físicas, seu jeito, seus planos, até seus gostos.

E ai... nos apaixonamos, e tudo que idealizamos escorre pelo ralo!

Quando nos apaixonamos tudo o que antes era imprescindível, perde o sentido. Não ligamos mais se a pessoa é ou não da forma como sonhamos, mas o objeto da nossa paixão acaba se tornando nosso maior sonho.  Não nos importamos se temos o mesmo gosto musical, ou se gostamos das mesmas coisas, nessa hora não importa cor da pele, nem cabelos, nem tipo de corpo. Tudo nos agrada, tudo nos encanta. A paixão é cega, não enxerga diferenças não mede incompatibilidades.

Mas com o tempo, as diferenças que antes não apareciam, começam a se evidenciar. Escolhas devem ser feitas e não havendo um mesmo objetivo, um mesmo pensamento, o casal apaixonado se vê em um cabo de guerra. Um quer ir para um lado, o outro pro outro. E é nessa que muitos tem se machucado, e machucado aos outros. Na tentativa de trazer o companheiro “para o seu lado” acabam se magoando. Criam expectativas que não são atendidas, e se frustram. Tudo porque se deixaram levar pela paixão e não observaram as incompatibilidades que com certeza já existiam desde que se uniram.

Por isso acredito que existe uma grande diferença entre se apaixonar, e amar. O amor pra mim não é sentimento, é razão. Não creio que o amor vá pelo que o coração diz, e sim pelo que o seu cérebro, a sua inteligência lhe mostra. Ele olha compatibilidades, mede objetivo, observa atitudes, não está nem ai pra palavras bonitas, antes, examina se essas vêm do coração, se são sinceras. Ele não se deixa levar pelo porte do bom moço, e sim pelo seu caráter. É isso que faz dar certo. É isso que faz um relacionamento durar.  Amor de verdade.

E eu? Eu só estou tentando entender por que nos apaixonamos tanto e amamos... Nada!



segunda-feira, 24 de junho de 2013

Só por hoje


Ei garoto, não me olhe assim...
Eu sei que não sou a garota perfeita
Que não sou a realização de seu sonho
Sei que não sou eu a caminhar lentamente em sua direção
Segurando um lindo um buquê de rosas nas mãos
E vestindo o mais branco dos vestidos

Sei que não enxugarei metade das suas lágrimas
E que não causarei tantos sorrisos quanto eu gostaria
Sei que não sou a mulher que vai acordar ao seu lado
E que não serão nossos os filhos a correr pela casa...

Sei que não estarei ao seu lado quando
O brilho dos olhos for a única coisa que nos resta
Quando passear de mãos dadas for a melhor coisa a ser feita
E sentar ao seu lado na varanda o passatempo favorito

É garoto, eu sei de tudo isso...
Mas agora, somente agora
Deixe-me ser tudo o que quiser
Deixe-me dançar ao seu lado na pista
Deixe-me ser a sua única garota,

Porque amanhã, a história pode ser outra...

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Já não me importo


Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar.
Sou um navio que chegou a um porto
E cujo movimento é ali estar.

Nada me resta
Do que quis ou achei.
Cheguei da festa
Como fui para lá ou ainda irei

Indiferente
A quem sou ou suponho que mal sou,

Fito a gente
Que me rodeia e sempre rodeou,

Com um olhar
Que, sem o poder ver,
Sei que é sem ar
De olhar a valer.

E só me não cansa
O que a brisa me traz
De súbita mudança
No que nada me faz.



quarta-feira, 12 de junho de 2013

O gosto de Namorar



Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
 Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.
Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical do Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.


Texto de Carlos Drumond De Andrade

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Te preciso



Penso em você a todo instante
Seja como ultimo desejo antes de adormecer
Em sonhos durante a madrugada
Ou junto aos primeiros raios de sol na manhã...
Penso em nós, e no que poderíamos ser.
Penso que meu presente nada representa
Se eu não puder sentir seu cheiro, o gosto do seu beijo,
Ouvir sua voz falando manso aos meus ouvidos,
Sentir o toque das suas mãos em meu rosto...
Penso que o futuro sem você não faz sentido
Que o mundo gira sem ritmo
Que meu coração bate descompassado
E que a vida perde a cor
Penso que sem você não sou completa
E que você sem mim, vive tentando se completar.
Mas são só pensamentos, desses irrestritos e irreais
Desses que nos faz ir tão longe, que até voltar...
Fica difícil. 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Apenas se eu disser


Se eu disser que te amo, é exagero.
Se disser que te desejo, é apelo.
Se eu disser que te adoro, é amizade.
Se disser que sinto a tua falta, é carência.
Se eu disser que me é indiferente, é fingimento.
Se disser que já não me lembro, é saudade.
Se disser que te odeio, é decepção.
Mas se algum dia eu disser que não me importo,


Ah isso com certeza... é mentira!