segunda-feira, 22 de julho de 2013

O medo do amor



Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê. 

O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade. 

E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro. 

Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos. 

Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo.


terça-feira, 16 de julho de 2013

Cabo de Guerra


Nós sempre idealizamos a nossa vida, o nosso futuro. A cada pequeno passo um mundo de novas ideias e sonhos vão se construindo em nossa mente, e se tornam o nosso objetivo de vida. E no amor, não é diferente. Idealizamos a pessoa que queremos ter ao nosso lado, suas características físicas, seu jeito, seus planos, até seus gostos.

E ai... nos apaixonamos, e tudo que idealizamos escorre pelo ralo!

Quando nos apaixonamos tudo o que antes era imprescindível, perde o sentido. Não ligamos mais se a pessoa é ou não da forma como sonhamos, mas o objeto da nossa paixão acaba se tornando nosso maior sonho.  Não nos importamos se temos o mesmo gosto musical, ou se gostamos das mesmas coisas, nessa hora não importa cor da pele, nem cabelos, nem tipo de corpo. Tudo nos agrada, tudo nos encanta. A paixão é cega, não enxerga diferenças não mede incompatibilidades.

Mas com o tempo, as diferenças que antes não apareciam, começam a se evidenciar. Escolhas devem ser feitas e não havendo um mesmo objetivo, um mesmo pensamento, o casal apaixonado se vê em um cabo de guerra. Um quer ir para um lado, o outro pro outro. E é nessa que muitos tem se machucado, e machucado aos outros. Na tentativa de trazer o companheiro “para o seu lado” acabam se magoando. Criam expectativas que não são atendidas, e se frustram. Tudo porque se deixaram levar pela paixão e não observaram as incompatibilidades que com certeza já existiam desde que se uniram.

Por isso acredito que existe uma grande diferença entre se apaixonar, e amar. O amor pra mim não é sentimento, é razão. Não creio que o amor vá pelo que o coração diz, e sim pelo que o seu cérebro, a sua inteligência lhe mostra. Ele olha compatibilidades, mede objetivo, observa atitudes, não está nem ai pra palavras bonitas, antes, examina se essas vêm do coração, se são sinceras. Ele não se deixa levar pelo porte do bom moço, e sim pelo seu caráter. É isso que faz dar certo. É isso que faz um relacionamento durar.  Amor de verdade.

E eu? Eu só estou tentando entender por que nos apaixonamos tanto e amamos... Nada!